CURIOSIDADES

:: Classes das águas propriedades físicas e químicas ::

CLASSIFICAÇÃO DE ÁGUAS DOCES, SALOBRAS E SALINAS DO TERRITÓRIO NACIONAL

São classificadas, segundo seus usos preponderantes, em nove classes, as águas doces, salobras e salinas do Território Nacional:

ÁGUAS DOCES

I - Classe Especial - águas destinadas:

a) ao abastecimento doméstico sem prévia ou com simples desinfecção;
b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas.

II - Classe 1 - águas destinadas:

a) ao abastecimento doméstico após tratamento simplificado;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à recreação de contato primário (natação, esqui aquático e mergulho);
d) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que ingeridas cruas sem remoção de película;
e) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana.

III - Classe 2 - águas destinadas:

a) ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à recreação de contato primário (esqui aquático, natação e mergulho);
d) à irrigação de hortaliças e plantas frutíferas;
e) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana;

IV - Classe 3 - águas destinadas:

a) ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional;
b) à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras;
c) à dessedentação de animais.

V - Classe 4 - águas destinadas:

a) à navegação:
b) à harmonia paisagística;
c) aos usos menos exigentes.

ÁGUAS SALINAS

VI - Classe 5 - águas destinadas:

a) à recreação de contato primário;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana.

VII - Classe 6 - águas destinadas:

a) à navegação comercial;
b) à harmonia paisagística;
c) à recreação de contato secundário.

ÁGUAS SALOBRAS

VII - Classe 7 - águas destinadas:

a) à recreação de contato primário;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana.

IX - Classe 8 - águas destinadas:

a) à navegação comercial;
b) à harmonia paisagística;
c) à recreação de contato secundário.

Fonte: Conselho Nacional do Meio Ambiente - Resolução nº 20 - de 18 de junho de 1986

 

:: COMPOSIÇÃO QUIMICA DA ÁGUA - FíSICAS E QUíMICAS

Propriedades físicas

O organismo dos animais encerra água em proporções que atingem até 70%, as plantas terrestres, até 75%; as plantas aquáticas, até 95%; alguns animais aquáticos, até 99%; e os corpos aparentemente secos, como os minerais, podem possuiu alguma quantidade de água na sua com- posição. Esse é o caso da soda cristalina, que apresenta até 63% do peso em água, e o sulfato de cobre quando azul, que encerra até 36% de água.

Substancia de molécula composta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio (H20), constituinte fundamental da matéria viva e do meio que a condiciona. Suas propriedades físicas e químicas diferem muito das de qualquer outra substancia. São elas que caracterizam a natureza do mundo em que vivemos. Uma das suas propriedades mais características é a de dissolver numerosas substancias, formando soluções. Estas possuem interesse inestimável, não somente no que concerne, aos fenômenos vitais, mas também no que se refere aos processos industriais. O próprio mar é uma. solução aquosa que contém milhares de substancias dissolvidas, constituindo íons metálicos e não metálicos além de inúmeros complexos minerais e de substancias orgânicas. Nessa solução desenvolveram-se os primeiros organismos vivos, que nela encontraram os íons de que necessitavam para o crescimento evolução. O ser vivo só conseguiu deixar o meio aquoso quando seu próprio organismo conseguiu formar soluções aquosas sob forma de tecido líquido, sangue, plasma e fluidos intercelulares, contendo os íons e moléculas necessárias.

Os antigos conseguiam decompor a águas e por isso consideravam-na um elemento indivisível e que entrava na composição dos outros corpos. Data de muitos séculos anteriores à nossa era a teoria dos quatro elementos, defendida por Empédocles , Tales de Mileto, no início do Séc. VI a.C., defendeu a idéia de ser a água o elemento primordial, o substrato da diversificação da matéria, porque "o úmido é a fonte dar vida, é fertilizante indispensável à germinação. Muito mais antigo é o mito do "oceano gerador" Aristóteles, no séc. 1 a C., conservou o esquema de Empédocles, associando, no entanto, a cada elemento uma qualidade. A água era associada à úmida.

Em 1776, J. Waltive comprovou que quando se deixava queimar certa chama de hidrogênio em uma atmosfera limitada de ar, formaria uma substância branca densa que "poderia ser vapor d'água", na mesma época verificou que a chama do hidrogênio não formava fuligem. Colocando um prato de porcelana na direção da chama ficava levemente umedecida.
Em 1781, J. Priesticv, queimando certa quantidade da "gás inflamável" (hidrogênio) em recipiente fechado, contendo ar, verificou que ocorria uma explosão, após a qual as paredes ficavam recobertas de orvalho. Henry Cavendisb refez a experiência procurando estabelecer uma relação quantitativa entre o hidrogênio queimado e o orvalho produzido. observou que ao formar o orvalho o oxigênio integrante do ar era consumido.Verificou também que a relação entre o peso de hidrogênio queimado e o do oxigênio consumido era de dois para um. Provou ainda que o orvalho era constituído por água pura, o que o autorizou a propor que a água deveria ser um composto desses dois elementos e na proporção acima. Essas experiências todas tratam de obter a água por meio de uma síntese, a partir de seus prováveis componentes. Em 1800, W. Nicholsan e A. Carlisle observaram a formação de pequenas bolhas gasosas ao redor dos extremos de um fio elétrico colocado no interior de um frasco contendo água e ligados aos pólos de uma pilha. Os gases foram recolhi- dos e mantinham a proporção de dois para um, sendo que o maior volume sempre correspondia ao pólo negativo. Misturando os dois gases e fazendo a mistura explodir, empregando para isso uma faísca elétrica, obtiveram água. Os gases foram identificados como sendo o hidrogênio e o oxigênio. Dessa maneira, foi, pela primeira vez, realizada a decomposição da água.

Inúmeras experiências têm sido realizarias em aparelhos cada vez mais aperfeiçoados, algumas de análise outras de síntese como as de J.B. Dumas (1842), de Moiley (1895), as de Burta Edgar (1915) etc. e servem para estabelecer que a composição da água é de duas partes de hidrogênio e uma de oxigênio, que corresponde à fórmula química: H20.
Os aparelhos modernos em que se realiza a síntese da água chamam-se eudiòmetros, havendo -os de vários tipos. Os que se destinam a decompor a água denominam-se voltâmetros e devem funcionar com corrente elétrica contínua ou retificada.

Propriedades físicas A água possui características bastante singulares e suas propriedades têm sido usadas para definir inúmeras unidades físicas. Quando, no fim do séc. XIII, foi escolhida nova unidade de massa, a comissão de cientistas encarregada dos trabalhos definiu o quilograma- massa (ou resumidamente quilograma), como sendo a massa de um decímetro cúbico de água pura a 4'C. Esta definição de quilograma, porém, ficou em desacordo com o quilograma padrão, sendo por isso abandonada; a relação pode ser usada apenas como valor aproximado.

A temperatura de fusão da água foi escolhida como referência para construção da escala centesimal de temperaturas, introduzidas por Anders ecisius que lhe atribuiu o valor 100'C. Lineu posteriormente inverteu os valores, fixando que essa temperatura seria o grau zero da escala.

A temperatura de ebulição da água pura foi também indicada por Celsius como referência e depois da inversão passou a designar os 100'C da escala.

A densidade da água a 4'C foi ainda tomada co- mo unidade de densidade. A grande maioria das substâncias diminui de volume e, por conseqüência, aumenta de densidade à medida que a temperatura diminui. A água apresenta uma singularidade bastante rara: sua dilatação é irregular, apresentando um mínimo de volume, portanto um máximo de densidade quando a temperatura é de 4'C. Por esse motivo o gelo (água sólida) flutua na água líquida. Uma garrafa cheia d'água, devidamente arrolhada e colocada no congelador, parte-se por causa da dilatação da água ao solidificar-se. Esse fato é da máxima importância, pois permite que no inverno o fundo dos rios e lagos dos países frios permanece com água líquida, enquanto a superfície fica v encoberta por uma camada de gelo. Isso possibilita condição de vida aos peixes e outros seres que vivem nesses rios e lagos.

A água é má condutora do calor e necessita de muitas calorias para aquecer-se (possui calor específico muito grande); também para fundir-se e para vaporizar-se retira grande quantidade de calor das fontes. Esses fatos fazem com que a água funcione como niveladora térmica do meio físico.

Propriedades químicas

A propriedade mais importante da água do ponto de vista químico é o fato de dissolver grande número de substâncias, ou seja, de possuir enorme poder dissolvente. Esse fato é atribuído à sua grande constante diclétrica e à tendência de suas moléculas de combinarem-se a íons, f6rffiando íons hidratados. Moderadamente, essas propriedades são explicadas pelo caráter polar de suas moléculas. isto é, as ligações covalentes entre os dois átomos de hidrogênio com o átomo de oxigênio ocorrem de tal modo que o ângulo entre elas é de 105°, ou seja, a molécula tem a forma triangular. Essa conformação faz com que surjam dois centros de carga, um positivo e outro negativo, separados por uma certa distância, ou seja, um dipolo elétrico.

A constante diclétrica da água, na temperatura ambiente comum, é 80. Isso significa que duas cargas elétricas iguais e do mesmo nome repelem-se dentro d'água com uma força 80 vezes menor que a repulsão entre elas no ar. Isso é explicado por meio do modelo dipolar: no interior de um campo elétrico as moléculas de água se orientam dirigindo seu centro positivo na direção da porção negativa do campo e seu centro negativo na direção da porção positiva, o que produz uma neutralização de parte do campo elétrico, tornado mais fraco.

Os íons dos cristais colocados dentro d'água podem destacar-se do cristal muito mais facilmente que no ar, pois a força eletrostática é 80 vezes menor e a própria agitação molecular do meio aquoso à temperatura ambiente é bastante forte para vencer essas atrações eletrostáticas muito pequenas.

Por outro lado, cada íon negativo, situado no interior de unia solução aquosa, atrai as extremidades positivas das moléculas de água vizinhas, o ,mesmo acontecendo com os íons positivos relativamente às extremidades negativas. Isso faz com que os íons fiquem como que recobertos por uma camada de moléculas de água solidamente ligadas a eles, o que confere grande estabilidade à solução. Nisso consiste o importante fenômeno da hidratação dos íons.

:: ÁGUA DA CHUVA E FALI-OUT RADIOATIVO

O ciclo de transformações físicas experimentado pelas águas que se evaporam condensam-na em nuvens, e precipitam-na sob a forma de chuva. Esse é o mecanismo regulador do clima e condicionante da vida. O vapor d'água, menos denso do que o ar, forma urna corrente ascendente e à medida que sobe resfria-se, e constitui as nuvens que logo dissolvem muitas substâncias como o ar, o gás carbônico, o nitrato de amônio, a amônia, e mantêm em suspensão as partículas sólidas não solúveis.

Quando ocorre urna explosão atônica, a atmosfera fica contaminada pela formação de isótopos radioativos, produtos da fissão nuclear. Esses isótopos são arrastados pela água das chuvas, caindo sobre a terra, onde passam a contaminar primeiro as águas e as plantas, em seguida os peixes e animais que se alimentam de plantas e depois o próprio homem, através do leite e da carne desses animais. Esse processo constitui o fali-out radioativo, objeto de controle e meios especiais que defendem a integridade a saúde das populações.

:: ÁGUA DURA

É a água que contém, principalmente, sais de cálcio e rnagnésio. A dureza é temporária quando os sais são bicarbonatos e permanente quando o cálcio e o magnésio apresentam-se na forma de outros sais. Além de impedir que o sabão faça espuma, esses sais provocam outros inconvenientes.

A água dura pode ser amolecida, pelo tratamento com água de cal.

:: ÁGUA OXIGENADA

Composto químico cuja molécula é formada por dois átomos de hidrogênio ligados a dois átomos de oxigênio (H 2 0 2). É liquido incolor, de densidade 1,47, ponto de fusão 1.7°C e de ebulição 151°C. Poderoso oxidante, age intensamente sobre as substâncias orgânicas. Empregada como anti-séptico, para descolorar o cabelo. O tipo comercial contém alguma quantidade de estabilizante para evitar sua decomposição.

:: HIGIENE DA ÁGUA

A poluição das águas, seja por ação bacteriológica, decorrente do contato com dejetos humanos, seja por ação química, decorrente do lançamento de substâncias nocivas nos cursos de água pelas fábricas, é um dos grandes problemas atuais. A água poluída pode conter bactérias (bacilos da febre tifóide e da cólera, vírus da poliomielite), parasitos (amebas, agentes da bilharziose etc.) e tóxicos (corno o chumbo, perigoso sobretudo em águas pouco calcarias).

A água potável deve ser fresca, clara, inodora (todo odor torna a água suspeita) e de sabor agradável. Conterá sais minerais em quantidade variável e pode apresentar microrganismos não patogênicos. O pH não deve ser inferior a 7. Uni excesso de nitritos, de nitratos ou a presença de amoníaco são indicadores de poluição. Sulfatos, sulfetos e fosfatos podem igualmente indicar poluição fecal, sobretudo quando associados aos precedentes. Para a purificação caseira das águas, pode-se utilizar a fervura, seguida de aeração. A água pode ser filtrada ou purificada por raios ultravioleta. É ainda possível o emprego de meios químicos: a tintura de iodo (15 gotas por litro); o hipoclorito de sódio (água de Javel: 3 gotas por 10 litros, usando-se um filtro de carvão para eliminar o excesso de cloro); e oxidantes, como o ozônio e o clássi

:: ABASTECIMENTO

Como a água é indispensável à vida do homem e como sem água nenhuma comunidade poderia subsistir, surge a necessidade de cuidar do respectivo abastecimento, tendo em vista as suas diversas finalidades: consumo, usos domésticos e industriais, e serviços públicos - limpeza, combate a incêndio. irrigação etc. Acrescente-se que, com o aperfeiçoamento dos conhecimentos científicos, aumentam as exigências quanto às propriedades da água potável e, com o progresso dos sistemas de abastecimento das cidades, vão desaparecendo enfermidades, tais como a febre tifóide, a cólera, a disenteria.

A importância vital da água fez com que o homem - desde os tempos primitivos - lhe dedicasse os maiores cuidados, que se traduzem nas fases de captação, depósito, preservação, distribuição e tratamento.


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